O audiolivro se apresenta como uma alternativa de veiculação social de bens culturais, especificamente, de obras literárias, entre alunos do curso de Letras e estudantes; e portadores de baixa visão e deficientes visuais.
O primeiro grupo se constitui objeto de interesse no sentido de que é senso comum a distância que há entre um livro e a maioria dos alunos, ainda que do curso de Letras. Assim sendo, o audiolivro pode se constituir num elemento de aproximação e de constituição desse não leitor em leitor, pela possibilidade do contato com obras narradas por narradores especializados, tendo a disponibilização dos recursos próprios da oralidade, que tornam a leitura atraente e remontam às suas primeiras experiências enquanto leitores, aquelas em que ouviam embevecidos as histórias que lhes eram contadas. Na realidade, essa tem sido a iniciação à leitura de todos antes de experienciar a escola.
Em face disso, o audiolivro pode se constituir uma retomada dessa caminhada rumo ao contato com o livro impresso e representar a redescoberta dos incríveis mundos e infindáveis experimentações disponíveis nas obras literárias, através da seleção de um grupo de estudantes belenenses do Ensino Médio de escola pública para realizar um curto ensaio, com a gravação de suas vozes, a fim de compreender a importância da interpretação oral do narrador.
Sabe-se que os alunos brasileiros tem o hábito de ler pouco ou, pior, não ler. Dentre as causas, uma delas é não saber ler corretamente, apesar dos livros conterem sinais gráficos, estes não são respeitados ou são ignorados, o que atrapalha o correto ritmo de leitura que os diferentes tipos textos pedem.
O segundo grupo, dos portadores de deficiência visual, tem no audiolivro a possibilidade de aumentar o seu acesso ao acervo literário gestado em língua portuguesa, tendo, portanto, garantido o seu direito de acesso aos bens culturais na qualidade de cidadão. Logo, o audiolivro vem suprir uma deficiência que se revela na pouca quantidade de obras publicadas em braile, aliado ao fato de que muitos desses portadores de deficiência visual não terem conhecimento dessa escrita especializada. Ao fim do projeto, propõe-se doar o material de teste para a Biblioteca Pública Arthur Vianna, em Belém, contribuindo para seu acervo de audiolivros; para a Fundação Dorina Nowill Para Cegos, em São Paulo que desenvolve projetos há 62 anos para a inclusão do deficiente visual à sociedade; e para o Instituto Benjamin Constant, o qual assiste à educação básica, de responsabilidade do Governo Federal, no Rio de Janeiro.
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